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Estrada solitária - Vera Silva - 09Fev2012 06:54:25

Entendo os gestos, os sinais,
o desapego, a indiferença,
a forma como segues
teu caminho
em passos seguros
feitos de solidão.

Compreendo a tua essência
e foi assim
sempre assim
que te amei loucamente.

Aceito que não me deixes
entrar no teu mundo
nem dançar no teu palco,
que tenhas medo
da felicidade e dos sorrisos.

Minha alma pertence-te
assim mesmo.
Meu coração é teu.
Inventarei novas palavras
para dizer que te amo,
novas formas
de te gritar este amor
com meu corpo,
novos olhares
para que não te percas
na estrada solitária
que insistes percorrer.



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=211559

A estrelinha lá do céu - Vera Silva - 09Fev2012 06:54:25

Ai que linda e bonitinha
A estrelinha que brilha
Lá bem alto no céu,
Até parece boazinha
Mesmo sendo da quadrilha
Que enfia grosso chapéu.

Coisinha mais educada
E com alma tão gentil
Que toca qualquer um
De forma tão iluminada
Que nem parece que é vil
E que não vale um pum!

Brilha, brilha enquanto podes
Na devassa e na maldade
Minha estrela bonitinha,
Mas por favor não incomodes
Quem tem capacidade
De ser verdadeira estrelinha.



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=211345

A saudade - Vera Silva - 09Fev2012 06:54:25

Hoje senti a tua falta.

Dei conta do vazio
que cobre o meu leito,
que cerca a minha vida...

Percebi que sou tão pequena
para tanto espaço que me rodeia
e reparei que, por mais que inspire,
o ar não me enche o peito!

Dei-me conta que a dor da saudade
esmaga a alma e mata o sorriso
e nem vale a pena sequer tentar
viver sem o teu abraço.

Agora sei a dimensão deste amor
(e não encontro o teu olhar
por mais que fixe o céu)
e percebo a falta que me faz
a tua voz no meu regaço.

Hoje senti a tua falta
e grito o teu nome
(único alívio na minha morte).



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=209908

Há dias assim - Vera Silva - 09Fev2012 06:54:25

Há dias assim, em que me chove dentro da alma e as lágrimas se soltam fáceis.
A madrugada teima em manter-se inquieta, pontapeando-me num silêncio absurdo, proibindo-me de dormir, e as estrelas embaciam-se e perdem o seu significado, soltando gemidos fúnebres.
Já fui sol, radiosa, cheia de sonhos. Fui lua, sensual, brilhante…
Mas há dias assim, em que a morte caminha na minha sombra tentando-me, sorrindo-me, mostrando-me passos seguros e de paz.
Há dias em que o abraço que anseio não chega e o desejo morre enfrascado numa nota musical quase tão demente como eu.
Sou apenas eu, e o espelho mostra-me quão deserto é o meu mundo e como o arrependimento segura uma faca afiada, apontada ao meu pescoço.
Há dias assim, em que me chove dentro da alma e o meu refúgio secreto se inunda da tua ausência, mais uma vez.


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=208437

Tenho medo - Vera Silva - 09Fev2012 06:54:25

Tenho medo
desta loucura chamada amor
que mabraça e leva
para outro lugar
onde nada há mais
que alegria e certeza!

Apavoram-me as lágrimas
que se soltam,
e frágil, frágil,
assim me sinto.

Não quero precisar de ti
quando não estás presente,
nem te quero querer
nesta saudade
que me morde a alma.

Tenho medo!
Medo de te amar demais,
medo que percebas
o volume inalcançável
desta coisa chamada amor.


Vera Sousa Silva

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=206536

a Palavra condenada - Vera Silva - 09Fev2012 06:54:25

Nasceu condenada
(a Palavra)
no meio dos arbustos,
escondida,
com medo dos passos
reais, a caminho,
marchando leais
traindo o Poeta
e o vizinho.

Nasceu condenada
(a Palavra)
e o verso chorou
baixinho,
gritou pelo caminho
e o medo foi seu vizinho.



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=201827

Entre o sonho e a saudade - Vera Silva - 09Fev2012 06:54:25

Vivo entre o sonho e a saudade
e vejo-te em cada partícula do tempo
onde te beijo e respiro.

Ardo na volúpia e o tempo pára.

Acontece amor nos teus braços
e desejo no teu sabor a "quero-te"
feito de silêncios e olhares
que soltam borboletas
no ventre incendiado, inquieto,
que clama a tua presença.

É urgente ter-te agora,
não apenas nas memórias
guardadas na caixa do meu céu.

Sinto-te perto, aqui comigo,
nos dedos entrelaçados,
lábios unidos,
almas gémeas impregnadas
de fantasias líricas
e odores incessantes.

Vivo entre o sonho e a saudade,
entre o medo e a certeza,
sem pronúncia de amor.


Vera Sousa Silva

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=200549

Algemada - Vera Silva - 09Fev2012 06:54:25

Falar desta vontade de te ter
e dos caminhos que percorro
só, num silêncio profundo
envolto em nuvens negras
e distantes...

Tua, tua!
Assim sou.

Neste final de estrada
em que te espero,
onde o tempo não tem horas
e os dias não envelhecem,
a esperança não morre
nem se deita em cada buraco.

Deito-me algemada
a este amor traiçoeiro
que chegou sem aviso.

Morro tua...

E tu nem sabes que vivi!


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=191765

Desejo-te para além da racionalidade - Vera Silva - 09Fev2012 06:54:25

Há um beijo guardado no tempo,
algures entre o presente e o futuro,
onde os lábios se tocam
ao sabor da ventania das mãos.

O corpo cede,
estremece...
O desejo instala-se
lírico, como os versos
do teu poema.

A alma enlouquece
amante do sonho
em que os lábios se cruzam

e o beijo nos perde!



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=181949

Em sintonia se espera - Vera Silva - 09Fev2012 06:54:25

Há no ar um cheiro de amor
que exala dos corpos
unidos num beijo
onde as bocas são apenas
cúmplices apaixonadas
de palavras escondidas
debaixo de lençóis
onde os golfinhos dançam
como nós...

Olho-te e entrego-me
quente, intensa, tua...

O bater do coração
apressado pelo desejo
canta-te ao ouvido,
e tu, poeta,
tatuas versos
na minha (tua) alma.

Em sintonia vivemos
e esperamos
pela derradeira palavra
de amor.


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=170785

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