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PONTO DE ENCONTRO* (Erótico) | 04Out2008 21:10:00


Publicado por: ibernise[arroba]hotmail.com



Era uma vez...Um guerreiro e uma deusa.Eles se amavam muito,mas não podiam se tocar...Podiam se olhar, se falar, se ouvir, mas não podiam se tocar.Viviam numa floresta, onde cada um tinha seu espaço de domínio, em perfeita harmonia com a natureza.Uma bela manhã de sol, o guerreiro apeia na clareira do seu lado da mata, para ouvir o canto da Araponga... Era como o bater do ferreiro em ferro em brasa, e o raspar do limatão...

O guerreiro sabia que não podia tocar a sua deusa, mas sempre a esperava... E ali, ouvindo o cantar daquele pássaro, ele idealizava sua presença e a amava, naquele encontro impossível, seu amar era... Era como ouvir o canto da Araponga... O bater do ferreiro em ferro em brasa, e o raspar do limatão...

Este encontro só era possível através de um portal espaço-tempo, que ambos criaram... Ao adentrarem ao local tudo podiam fazer, tudo lhes era permitido. O prazer daqueles amantes era ciberneticamente real. Ele tanto a amava, que nem sabia onde estava, e nem como conseguia, mas a amava...

Os dois acolhiam aqueles eventos amorosos, como uma dádiva e um milagre através do qual saciavam seus desejos...Um dia, numa dessas paragens, o amador viu a sua amada em seus limites e estava extraordinariamente bela, como nunca a tinha visto...Seu olhar era um convite, seus lábios a mais doce oferenda... Cabelos soltos caídos sobre os ombros, voavam ao sabor do vento... Ela vestia um traje sensual que permitia ver a silhueta de seu corpo escultural.

Sua deusa  lhe sorria sussurrando seu nome. Ondas sonoras a tocar seus ouvidos. Que toque... De repente aquele guerreiro, num trejeito, meio sem jeito estufou o peito... Estava pronto pra romper limites... Olhou para amada e... Pegou a sua mão... E se amaram enquanto ouviam o canto da araponga que era como o bater do ferreiro em ferro em brasa, e o raspar do limatão...

À beira da mata fluíram muitas regas... Naquele mato molhado, folhas foram regadas, regras foram quebradas ao som do canto da araponga que era como o bater do ferreiro em ferro em brasa, e o raspar do limatão...

Logo se refugiaram no portal do amor, a magia do momento absorveu os dois amantes. Daquele ninho preferiram nunca mais sair... Nunca mais retornaram... Sentiam-se como caça e caçador... Entretanto no instante em que o caçador teria o domínio da caça, se deslumbraria com a sua posse, e esta posse se transformaria em pura vida... Emoção a atirar em todas as direções, mas já não abate, já não domina apenas desfruta o momento da liberdade de se pertencerem e poderem viver aquele instante.

A deusa e o guerreiro encontraram naquele lugar, sua fantasia e realidade. Ali, onde foram felizes para sempre, repartiram seus corações e cada um dos domínios coexistiu com uma metade enquanto eles se uniram em um só... Coração. O nome do portal era Wordside...


Excerto - ARAPONGA: 1. Zool. Ave passeriforme procniatídea (Procnias nudicollis), do Brasil médio-oriental e este-meridional. O macho é branco, sendo verde a zona nua da cabeça; a fêmea é verde-azeitona na parte superior, amarelada com manchas escuras do lado ventral, o vértice e a garganta pretos. Alimenta-se exclusivamente de frutos, e o seu canto lembra os sons metálicos produzidos pelo bater de ferro em bigorna. [Sin.: ferreiro, ferrador, guiraponga, iraponga, uiraponga.]

Ibernise feat Intrépido.
Indiara (GO), 18.09.2008.
Inédito!

*Núcleo Temático Romântico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998

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PONTO DE ENCONTRO II *



A deusa e o guerreiro encontraram um lugar para finalmente viver o seu amor. O Wordside. Ali suas fantasias se transformavam em realidade, era o seu portal do amor. Neste mundo novo eles se transformaram em amantes no tempo, era um cybertime.

 

A magia que dava a seus sonhos concretude se originava no arranjo que fizeram ao repartirem seus corações, para que as vivencias anteriores ficassem preservadas. Essas, seriam suas memórias, caso contrário perderiam suas identidades e jamais se encontrariam em si mesmos, e o amor, este também se perderia no tempo...

 

Com a metade de seus corações, e cada um dos domínios fora do Wordside, coexistiram dentro deste, com as                    metades restantes porque  eles se uniram em um só... Coração.

 

O Wordside coexistiria em paralelo ao mundo real.  Tal como como o Second-Life da Web, só que muito mais avançado porque o second-life estaria segregado entre rede de fibra ótica, que conferiria alta velocidade na condução da informação, dados etc... Wordside, não seria assim...

I- RECRIANDO A VIDA NO WORDSIDE

 

 Este novo mundo no cybertime seria um mundo igual ao real, onde teriam toda liberdade e eventualmente poderiam interagir, recebendo mensagens dos seus domínios anteriores, recebendo cyberatefatos e Cyberfoods, etc.Seria como duas linhas férreas juntas que se deparam com um desvio, desvio que transfere o trem para outra via e vice-versa. Essas duas linhas férreas seriam, tipo: Uma o mundo real onde mantinham seus antigos domínios, e outra o portal cybertime para o wordside.

 

 

Os amantes do tempo tiveram que se adaptar ao novo conteúdo, espaço tempo, e projetaram os novos elementos segundo suas necessidades... Conheceram o Word-end, um local horrível, abismo, onde vão os ímpios, as maledicências e tudo mais de ruim que por ventura irrompesse em seus caminhos.

 

Definiram também no cyber espaço do Wordside o Esybertem

O qual seria um condomínio que lhes serviria de morada. Lá teria tudo que eventualmente precisassem, durante suas viagens.

 

Na reintegração de suas realidades no Wordside obtiveram um greencard Wordside o qual foi deferido pelo egrégio tribunal de rearranjo sentimental. Para a deusa não houve quesitos ou questionamentos considerando seu status, sua dignidade, suas obras relevantes à humanidade. No caso do guerreiro...  Foi mais complicado... 

 

Houveram vários questionamentos, mas foram explicados e aceitos:  Explicitaram as autoridades interagentes, e mediadoras entre os dois mundos, que aquele relacionamento tinha um passado, de muito amor que sobreviveu de lembranças e contatos à distância, falaram do sofrimento de não terem jamais podido se tocar, e ainda assim, mantiveram um objeto de ligação entre seus domínios.

 

Ela manteve uma bandeira e se mantinha naquele território onde finalmente se encontrariam e ele manteve o intrépido, uma viatura que o conduziria até os limites de sua deusa.

 

Uma grande paixão que o tempo não abateu, nem conseguiu abrandar.Falaram de seus encontros apaixonados e ainda que permanecessem separados,  sempre estavam ligados em pensamento nas horas difíceis. Mesmo à distância um abrigava o outro em seus corações. Até que finalmente se transportaram para o Wordside, sem destruir suas memórias nem seus domínios antepassados.

 

Assim, como os seus domínios estavam conservados nada iria modificar  o seu “status quo”.  Daí o douto magistrado concedeu a permissão e o guerreiro também recebeu seu Greencard Wordside e o tornou apto também, a se naturalizar. Agora, guerreiro e deusa eram ciberneticamente humanos.  Ou deliciosamente humanos cibernéticos,  livres para tudo. 

 

Assim seus estados físicos foram se revertendo até a essência da matéria, moléculas células, nano células, etc. Velocidades incríveis até chegar ao estado de anti-matéria. Finalmente eram cidadãos do Wordside, naturalizados.

 

Exultantes seus corações com tanta felicidade, reintegraram um de seus mais importantes utilitários: O Sailboat, o veleiro do tempo o: Ladybe. Tal artefato teria um mastro principal rotativo. Seu velame é comiosto de duas bujas e uma traquete. Com motor auxiliar,   Equipamento de navegação de ultima geração. Muito conforto. Super seguro de uma estabilidade incrível.  Navegaria nos mares do tempo, abrigando e transportando os amantes no tempo.

 

II - A PRIMEIRA VIAGEM

 

Decidiram, então, fazer a primeira viagem, no tal veleiro para ver se descobririam novos lugares e viveriam suas aventuras... Pretendiam ir até a Ilandybe:  Uma ilha no tempo, a qual desejaram, e que existiria só para eles... A sua ilha no tempo.

 

Marcaram a saída para a viagem. Partiram cedinho. Já velejando no mar do tempo, o guerreiro procura sua deusa, e não a encontra.Ficou apreensivo, com o que haveria acontecido, não sabia nem o que pensar.

 

Um dia... Dois, e o desespero no coração apertado, doendo, abatido. Ele revivia momentos que deixaram marcas indeléveis, que perturbaram sua alma, muito choro, as vezes velado, as vezes explícito... O momento era de perda. A conexão dos amantes no tempo estava se desfazendo...

 

O guerreiro ainda no Sailboat Ladybe  partiu mergulhando mar a dentro tateando na busca do sonho desaparecido, agora já  não sentia medo, dor, nada... Seu pensamento era só no sonho que parecia estar perdido. Teria que recuperá-lo. No tempo do amor tudo era possível.

 

Novo dia raiando no horizonte ele, o guerreiro intrépido, relembrou cada momento... Queria ver se em alguma fração daqueles instantes vividos, quando já navegavam mas águas azuis daquele mar, descobria  a avaria que poderia ter atingido a sua deusa, no tempo.

 

 O   sailboat  Ladybe deixara  para trás a Goldem Beache Iber, a praia dourada de sua deusa no tempo,  uma esteira  branca de espuma marcava o mar calmo azul/esmeralda do oceano do tempo. Navegação rápida, à 12 nós, alguns graus adernado a boreste em função da pressão sobre a bujarrona e  a traquete totalmente enfunadas.

 

  Era como um cisne branco deslizando com seu brilho insuperável, rumo sudeste/nordeste, o rumo da paixão. No barco do tempo ele, o skipper,  ela a first mate ia na proa com o rosto ao vento, no convés limpo e arrumado, tudo branco como suas almas.

 

Uma bruma espessa os envolvia, quando ela desapareceu... Ele não a vê mais... Não a vê, a procura, ela não está no barco. De repente tudo muda... Nuvens negras no horizonte.  Tempestade a vista, agora navegava em mar de borrasca, baixa o pano, firma no leme, queimava suas mãos por não poder tocá-la....

 

  Agora aproado para o desconhecido, para a incerteza, pro não sabido.  Perdera a sua deusa dourada pensou, enquanto o velame recebia chicotadas de águas amargas, manchas escuras como sangue, que eram uma figuração de sua dor..  O Ladybe agora estava preto/rublo fosco parecia um ser vivo a sofrer...  Já não tinha mais horizonte. Mais desespero...  Ventos fortes perfurantes, com a água do mar ainda escuro, fustigavam seu rosto. 

 

 Cenho serrado.  Lábios apertados.  Olhar distante. Taciturno.  Rumo ao abismo do desconhecimento do que haveria acontecido.  Teria sua deusa dourada o abandonado?  Ou teria sido arrebatada por algum mal, no portal do tempo? Estaria no Word-end, o local horrível, abismo, onde de ruim lá se agrega?

 

Teria ele que irromper naqueles caminhos... Tentando manter  o rumo na escuridão.  Já não encontrava a bússola.  Continuava a sentir o gosto do desespero  na boca.

 

 Tudo era lúgubre.  Cheiro ocre de dióxido de enxofre no ar completava o quadro dantesco que estava vivendo naquelas horas do dia. Dante Alighieri teria dificuldade para descrever o inferno, como fez em suas obras, se presenciasse a dor do guerreiro.

 

 Vagalhões enormes abatem sobre o barco, ele  em sua resistência lutava para não ir a pique, pois assim perderia de vez a sua deusa, e nunca saberia o que acontecera.

 

 Não queria sequer pensar em sucumbir, como se fora mais uma peça do tempo.  Já estava vagando a deriva.  Tornara-se um errante, um andarilho naquele mar...  Uma criatura do tempo, cujo tempo agora era seu paradoxo, sua desilusão... Uma desconstrução parecia assumir o comando de suas fantasias...  Mais uma vez uma vitima do destino, pensava o tempo todo. 

 

 Não deixava de pensar nela, como ela estaria, o que estava passando.  Não sabia rezar mas rezou, pediu misericórdia ao senhor do tempo, para aquele amor no tempo não acabar.

 

De repente pareceu-lhe sentir o que sentira naquela linda tarde quando... Olhou para  amada  e... Pegou a sua mão... E se amaram enquanto ouviam o canto da araponga que era como o bater do ferreiro em ferro em brasa, e o  raspar do limatão...

 

 Pensou em transpor os limites do portal do tempo, sair do Wordside,  mas não podia misturar as coisas, ou estaria perdendo o controle do estabelecido... Quando de repente tudo ficou calmo, tocante, como tirasse com as mãos aquele clima modorrento,  ventos alísios o levaram às águas abrigadas do seu amor, que como antes o consolara, só com as lembranças. 

 

 Firmou a busca e o pensamento. No dia seguinte, o portal do tempo se abriu e sua deusa dourada se aproximou serena e aninhou-se em seus, braços... Ela havia sido arrebatada pelo processo de naturalização e sua materialização se complicara ao retornar como ciberneticamente humana. O amante no tempo deu graças. Recuperando-se dos ferimentos da batalha ...

 

Novamente a idealização de proteção e apoio ao seu amor, a trouxera de volta para ele. Ajudando-a na viagem de retorno a se reunir ao coração de seu amado guerreiro. Seu amado tinha seu abrigo na alma... Os amantes no tempo se amaram como nunca antes haviam feito... Enquanto ouviam o canto da araponga que era como o bater do ferreiro em ferro em brasa, e o  raspar do limatão...



Ibernise.
Indiara (GO), 27.09.2008.
Inédito!
*Núcleo Temático Romântico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de 19.02.1998.


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PONTO DE ENCONTRO III*



O Guerreiro estava perdendo sua resistência, quase transpondo os limites do portal do tempo, e assim sairia do Wordsite para sempre... No último, instante conseguiu assumir o controle do estabelecido... Teria que se manter calmo e seguir o rumo que a situação apontara. Agora estava disposto a lutar até o fim, porque o momento era de perda. A sua amada no tempo, a sua deusa havia desaparecido... A conexão dos amantes no tempo estava se desfazendo...

Seu último recurso foi sublimar todo o sofrimento num momento de catarse e se tornar confiante e desafiador. Intrépido enfrentaria tudo para encontrar sua deusa desaparecida. Tocado por uma onda de calmaria, viu o mar abrandando, o Ladybe deslizando soberbo em águas tranqüilas... Quando de repente o portal do tempo se abriu e sua amada, se aproximou serena e aninhou-se em seus, braços...
Tudo havia passado, sua naturalização como ciberneticamente humana no Wordside se completara, era agora viver e viver...

Enquanto a conexão se desfazia em seus últimos instantes seu amado lutara adentrando e protegendo aquele ente que ele não se conformara em perder. Esta âncora de proteção ajudou-a na viagem de retorno quando pode, só então, reunir seu coração ao coração do seu guerreiro. Sim, seu amado tinha seu abrigo na alma... Os amantes no tempo se amaram como nunca antes haviam feito... Enquanto ouviam o canto da Araponga que era como o bater do ferreiro em ferro em brasa, e o raspar do limatão...

Aqueles cyber seres não eram perfeitos, tinham seus problemas, desafios... Em suas almas, cada um era um nós. Este era o grande laço daquele casal: cuidados e apreciações recíprocas, onde aquele  cuidado era  provimento,  e proteção. Este exemplo de amor-provisão se propagou no Wordside, e outras pessoas, aprenderam sobre, fraternidade, solidariedade. Entenderam que uma ajuda tantas vezes faz com que outras pessoas encontrem seu verdadeiro rumo; que descubram que há muitos caminhos para dar o auxílio que alguém esteja a precisar.


I- NOVOS CYBER ARTEFATOS

Agora é novo dia, o casal de amantes no tempo, cuja sede de amor estava saciada, tiveram um amanhecer esplendoroso, estampado em suas faces, estava, aquela felicidade; na leveza do caminhar, no brilho dos olhos da amada, nas trocas de olhares, nas carícias à distância; todo o visual daqueles dois mostrava a felicidade que nascera nos seus momentos de amor.

Neste clima de meia estação da paixão... Planejaram um passeio ao LAGO DOS SONHOS. Precisavam de um projeto fantástico de equipagem... Os dois novos habitantes do Wordside, idealizaram mais cyberatefatos para viverem seu amor no tempo. Agora seria a vez de criarem um veículo de transporte terrestre. Idealizaram a carruagem do tempo: Flytime; o cavalo Arkus e o cocheiro Aeb (eibi). O lago dos Sonhos, Dreamskeep Ybe; O barco para passeios no lago; Boat yber e a cabana para abrigá-los, Cyberhouse.

A carruagem do tempo (Flytime) toda preta reluzente, portas envidraçadas nas laterais, duas lanternas de vidro alimentadas com óleo. Quatro rodas grossas com raios de madeira, com a banda de contato com o solo em aço, como uma moldura capeando o aro de madeira reforçada. Não faz barulho e seu interior é super confortável.

Nas suas fantasias não projetaram a Flytime, para fazerem amor. Era um ambiente para o conforto durante as viagens. No entanto ao pintar um clima mais intenso, uma centelha de desejo incontrolável, poderia, sim,  a Flytime acolher a paixão dos amantes no tempo...A presença de estabilizadores evitaria balanços, ou qualquer movimentação durante e enquanto... Sem possibilidade de alguém de fora visualizar o seu interior.

Arkus o cavalo dos amantes no tempo... Arkus: Raça Percheron, um franco/bretão. Enorme. Muito dócil. Bom de tração. Pelagem negra e brilhante. Com pelos longos nas quatro patas.Olhar de fogo.Incansável.

Aeb: (eibi) é o cocheiro do tempo, da carruagem do tempo. É silencioso. Nunca fala é muito fiel, impassível, discreto, não é bisbilhoteiro... Com sua capa preta, longa e o chapéu também preto de aba larga, com a copa em forma de cone, é um cara esquisito. Talvez de origem caucasiana, magro, olhos bem perto um do outro, nariz e orelhas finos. Magro. Quando ele desce da carruagem, não se vê dá os passos, parece que flutua no ar. Não se vê seus pés. Responde com resmungos ou grunhidos. Seu olhar é profundo. Quem não o conhece fica até com medo...

O lago dos Sonhos (Dreamskeep Ybe). Situa-se entre duas encostas, numa região fria, de altitude considerável. Uma região de perfil canadense. Nas suas margens, pinheiros, ciprestes com suas escamas rugosas, as sementes castanho-avermelhadas e o aroma de resina agridoce contrastam com o verde de  outras vegetações ao redor. Algumas arvores são tão grandes e altas, que assemelham a sequóias gigantes.

A largura do lago varia entre duzentos a quatrocentos metros. Não é tão profundo, entre dois e cinco metros, talvez pela sua formação há milhões de anos, período jurássico ou paleozóico com a acomodação da cadeia de montanhas da região.

Sua água, de ph excelente, é formada por pequenos mananciais  das geleiras e cumes nevados, que escorrem a guisa de talvegue alimentando o lago, dando vida. A correnteza desce na direção sudoeste/nordeste.

Ainda sobre o conteúdo do ecossistema: Existem vários animais. Peixes, muitos peixes. O mais exótico, deles, tem  sabor inigualável, o Ibefish. Peixe prateado no dorso e dourado lateralmente com uma fina listra alaranjada da cabeça a calda separando os dois tons, olhos grandes, do tipo caraciforme, boca bem dentada, lembrando Dourado, encontrado com freqüência fora do Wordside, escamas finas e sem espinhas; Como o Tucunaré, se alimenta de pequenos peixes e frutos silvestres. Tal iguaria o Ibefish teria reconhecida qualidade afrodisíaca.

Nas margens do lago se pode apreciar águas cristalinas, devido a existência de faixas de areia muito claras, um pouco irregular, de acordo com o nível da água. Ao fundo, bem longe, uma montanha sempre coberta de neve completa o quadro bucólico da paisagem.

O barco ( Boat yber) pequeno e confortável, branco, amarrado em uma estrutura que sobressai da água, um pier. Produzido em fibra de carbono capeado com lamina injetada de kewlar, confere pouco peso e alta resistência, estabilidade e flutuabilidade...

A Cabana, (Cyberhouse), construída em troncos de madeira roliça, entrelaçados e perfeitamente encaixados na horizontal, numa vedação perfeita. Em duas águas, coberta com telhas de barro. Uma chaminé de tijolos completa o telhado. A iluminação é por lampiões a gás com acendimento automático em todos os ambientes, a claridade é perfeita mesmo numa noite escura.

Teto bem protegido. Após a porta da frente, um hal como sala a esquerda com uma janela no meio da parede, bancos, aparadores, e armários. A direita um balcão,  a parede e a porta do quarto principal, que faz frente oposta à porta da entrada, para o quarto auxiliar; este com cama, armário e deposito de apetrechos, uma janela na parede dos fundos e uma porta.

Seguindo à esquerda, a cozinha ampla, também com uma porta na parede dos fundos e uma janela à esquerda da casa. Armários, pia, mesa, fogão a lenha com forno e chapa e equipamento de calefação do ambiente tudo, inclusive da água quente do banheiro. Sobre o fogão, pendurados, vários defumados e algumas ervas para tempero, chás etc...

A água vinda da montanha por gravidade, mantém a caixa sempre cheia. Duas velas grossas a base de ervas aromáticas para espantar algum inseto podem ser acesas, para manter uma certa claridade quando os lampiões estão apagados. As paredes divisórias são de meia madeira talhadas e bem unidas, dando privacidade aos ambientes. Todas as portas e janelas são de madeira com um quadro de vidro cruzado, também em madeira e grade de ferro de proteção. A tranca por dentro é uma barra de madeira. Ficando seus ocupantes muito bem protegidos.

II- O LAGO DOS SONHOS

Decidem partir do co_domínio (Esybertem ) logo após haverem concluindo materialização dos Cyberartefatos do tempo.
A Flytime, com todo o seu pomposo mistério, se aproxima... O cocheiro Aeb, (eibi), Com aquele olhar "através", fita longe o horizonte, impassível. E o cavalo Arkus, em arrufos se aquieta ao controle do cocheiro habilidoso. Intrépido, o guerreiro e a sua deusa Amábilis adentram a carruagem do tempo agora a magia de seus sonhos será pura realidade... Ainda cedo chegam a Cyberhouse, a sua cabana, o seu abrigo, naquela viagem.

Desembarque tranqüilo, a carruagem se afasta, enquanto eles se preparam para navegar as águas cristalinas do Dreamskeep Ybe, o lago. Água límpida azulada, personagem viva de desejos , uma garantia para aquelas experiências que necessitavam viver... As margens do lago se encontra o Boat Yber.

Os Amantes no Tempo, caminham em direção ao Boat Yber e sentam-se lado a lado, próximos a popa, de onde o Intrépido guerreiro conduziria aquela cyber embarcação. Junto deles estava uma espécie de acolchoado, macio, com interior de neoprene grosso, cor alaranjada, oferece qualidades térmicas e flutuabilidade, dobrado sobre o banco, nele uma etiqueta branca vulcanizada “Lady Ibe”, item emprestado do Sailboat Ladyber dos amantes no tempo. Dentro do barco, material de pesca, iscado com bolinhas de farinha coloridas. Passaram horas naquela experiência incrível, naquele panorama aprazível...

Conversavam baixinho amenidades, ao pé-do-ouvido, risos discretos vez em quando... Em nada queriam mudar, intervir na calmaria daquele quadro natural. O sol já desaparecendo, nuvens escureciam o céu, fazendo cair a temperatura. Pássaros em bandos, garças brancas enormes se abrigavam nos galhos desfolhados de algumas árvores à beira do lago.

O guerreiro, Intrépido, e sua deusa, Amábilis, estavam protegidos pelos abrigos esportivos que vestiam... Meias e sapatos especiais, cobertos com uma capa e capuz, itens de segurança do “Lady Ibe”. O container com objetos de segurança, tinha uma listra branca fluorescente, feito em material apropriado para não afundar. Havia nas capas de segurança objetos como, apito, laterna e epirb, uma espécie de led emissor de sinais de rádio. As capas quando unidas por velcro, formariam um excelente cobertor, capaz de proteger do frio e da chuva duas pessoas.

Vez por outra o Intrépido retirava a luva de sua amada Amábilis, sua deusa, para beijar-lhe o dorso da sua mão e aquecê-la com seu sopro quente... Também se punha acariciar seu cabelo, puxando um pouco o capuz.... Enquanto isso ela se recostava ainda mais, lhe devolvendo o carinho. Às vezes jogavam no lago algumas iscas, atraindo assim, vários pequenos peixes, formando conjuntos infindáveis de ondas circulares que ao por do sol, brilhavam como círculos em sincronicidade de figuras candentes e se perdiam de vista nas margens do lago.

Amábilis fisga um Ibefish de bom tamanho, Intrépido, o guerreiro, o retira da água. Ágil retira dois grandes filés laterais, o resto é atirado à água, que alimentando vários peixes é levado pro fundo. A seguir, corta os filés em finíssimas postas, com a ajuda, de Amábilis. Já em um recipiente inox, da cozinha do “Lady Ibe”, O Iberfish em camadas é temperado com sal, molho inglês, molho de soja e creme de mostarda importados do Japão, condimentos indianos, limão, cebola importada, em fatias finas e desacidificadas, especificas para aquele prato. O recipiente é fechado hermeticamente.

Amábilis lava as mãos na água do lago com uma loção cremosa de sabão biodegradável, levemente perfumada.Vez por outra dá para perceber que uma onda de calor esquenta o ambiente, talvez liberação do calor acumulado pelas montanhas, de origem vulcânica ou do próprio clima. 

Anoiteceu. A penumbra rapidamente é clareada por uma nesga de luz da lua entre as nuvens, dando para ver o branco das montanhas ao longe.

Os amantes no tempo se abraçam num cantinho próximo a popa e lá ficam acomodados em carícias aqui e ali... Beijos... Nos carinhos, mutuamente retribuídos, transparecia a chama e a beleza daquele feliz encontro... Ele dizia ao seu ouvido que já ansiava pelos carinhos dela, sua deusa...Ela sorria disfarçando com o olhar e enquanto a face enrubescia, e baixinho falava ao ouvido de seu amado guerreiro: _Tenho ansiado por teu beijo...Tenho ansiado por teu beijo... Por tanto tempo... Agora me dê... Depressa ... O seu amor...

Sorria pra ele e olhava em seus olhos... Olhos que pareciam dizer... Mande-me depressa seu amor... Me ame seja agora meu amante, meu amor... Sua voz suave e doce era uma cantiga, um apelo... Era novo tempo, de novo a felicidade os convidava a serem felizes... Era o tempo. E o tempo pode fazer muito...

Ele já não conseguia esperar. Arrumou o cobertor e ela ficou confortável... E mais uma vez ele pareceu escutar o canto da Araponga que era como o bater do ferreiro em ferro em brasa, e o raspar do limatão...

O acolchoado, com o lado de algodão substituível para cima e aberto no fundo do barco se transformou em excelente cama. Deitados lado a lado, cobertos com as capas unidas, sem os abrigos, suas peles quentes...Se tocavam... Observavam o céu, agora com nuvens prenunciando chuva.

Murmúrios. Sussurros. Respirações ofegantes. Caricias coordenadas, conjugadas, corpos unidos, beijos. Ele nem precisava de muitos movimentos, ela se encarregara de tantas coisas... O barco Boat Ybe deslizava nas águas serenas do lago... A lua branda, já alta, assistia a tudo silente, emprestava mais romantismo aos sonhos daqueles amantes no tempo, que continuavam a se amar escutando o ressoante canto da araponga que era como o bater do ferreiro em ferro em brasa, e o raspar do limatão...

Após algum tempo, agora famintos, degustaram a iguaria que haviam preparado... Silêncio, um servia o outro, numa mistura de sabores de ambas as preferências. Um a serviço do outro ao compasso da saciedade da fome, mais uma em meio a tantas fomes... O momento era de sua majestade o sabor... O complemento era o quadro daquela erma paisagem, que era só deles, criada por eles... 

A seguir lavam os apetrechos, guardam no armário embaixo dos bancos. Tomam chá quente de ervas orientais, de aroma adocicado, enquanto o pequeno motor à bateria na proa, silenciosamente os aproximou encostando no pier de madeira à beira do lago.

Os Amantes no Tempo, seguem rumo a Cyberhouse... Amábilis na frente com a lanterna. Vão pelo caminho entre as arvores margiado por pedras brancas, com alguns degraus de madeira para vencer o desnível até a cabana, na clareira, perto dali. Logo estaria à vista a luz das velas acesas,  refletidas nos vidros das janelas. A fumaça saía da chaminé em rolos, uma visão nítida de lua clara.

III- QUEIJOS E VINHOS

Ao entrarem a Cyberhouse, penduraram as capas no aparador do quarto. Ele vai direto à cozinha preparar a chapa de aço do fogão que ficara aceso; coloca mais lenha, pega alguns alimentos para preparar. Amábilis vai ao banheiro toma um banho quente e quando sai, perfuma todo a ambiente, tomado pelo vapor d´água.

Com uma toalha branca felpuda com a estampa “Lady Ibe” em verde no centro secava os cabelos vigorosamente. Enquanto o colo desnudo, próximo ao ombro direito, deixa aparente uma linda tatuagem. Linda borboleta que teima em tentar sair voando quando sua roupa maliciosamente escorrega e mostra a brancura da sua pele.

Vestida com uma blusa até a altura do joelho, transparente, de cambraia de algodão bordado à mão na mesma cor do tecido, e aberta até a cintura, deixando ver, ao mais leve movimento, outra tatuagem atrás do seio esquerdo. 

Amábilis estava linda... Para ele, ela era seu deslumbramento... O beija-flor da tatuagem, com um cravo enorme no bico parecia vivo.. Ele via perfeitamente o contorno de seu corpo bem proporcionado, o triangulo escuro abaixo do seu umbigo, e os mamilos dos seios intumescidos, quase furando a roupa. Aquela visão transportou o guerreiro como num link, ao momento, em que, pensando nela, ele ouvia o canto da araponga que era como o bater do ferreiro em ferro em brasa, e o raspar do limatão...

Ela percebe a excitação do Intrépido, seu guerreiro, e disfarça oferecendo ajuda... Queijos a derreter na chapa quente... Enquanto isso ele toma banho, e sai enrolado em uma toalha presa a cintura... Ela o olha com interesse e ele não deixa de notar...

Na mesa farta, queijos e vinhos. Frutas.Durante este intermédio, conversas, histórias, risos. Relembram algumas passagens do que haviam vivido no barco, o panorama, os peixes...

A conversa os levou a insinuações picantes, juras de amor, lembranças do passado... Ainda à mesa, sentados frente a frente, afagos nas mãos, beijos no ar... Uma pequena dose do delicioso licor. Selou aquele jantar.

Agora chuva cai forte, o barulho é delicioso, deixa o ambiente ainda mais romântico. O cheiro da chapa desaparece Ele sente apenas o seu cheiro, o cheiro de sua deusa... Lampiões apagados...Vela num clima de media-luz, aroma natural do campo está presente em todo o ambiente...

Ficaram sobre as almofadas da sala, juntinhos... Ela deitada no seu colo, olhos nos olhos, ela vibra com o carinho que recebe e ele sente seus seios intumescidos e quentes... Aos beijos e abraços conseguem chegar finalmente a cama... Macia seca e limpa...

Amábilis retira sua toalha, enquanto seu guerreiro, aos beijos abre todos os botões daquela blusa, que tanto tinha lhe prometido, quando lhe mostrara, silhuetas e contornos... Quando aquele visual, durante todo o jantar, marcara sua alma em fogo, o fogo do desejo... Já não conseguiam ouvir o canto da araponga que era como o bater do ferreiro em ferro em brasa, e o raspar do limatão...


Era como um turbilhão de desejos, vontades e sonhos desaguando num só momento numa só sensação... Aquela explosão de libido não deixara nenhum hormônio escapar... Todos aquecidos estimulados mais pelo amor do que pelo licor... 

Corpos nus entrelaçados, em coreografias, enfeitavam o cetim preto da cama... Beijos em todas aquelas coordenadas, marcadas e excitantes, nada os impedira de acharem seus rumos, entradas e vias...

Agora o comando era ausência de comando, ausência de pensamentos, apenas o prazer que era como ouvir o canto da araponga como o bater do ferreiro em ferro em brasa, e o raspar do limatão...


Beijos a cobrir todas as áreas desejadas, nenhum ponto foi olvidado os rumos do desejo o amor conhece muito bem... Finalmente a entrada do prazer maior, corpos em delírio esperaram muito aquele momento... O cuidado desliza naquela gruta do amor... Lugar quente, morno, pulsante acolhedor, amoroso. O ponto mais procurado e desejado, foi afinal encontrado...

Sem pressa... Rítmicos movimentos determinam a intensidade do prazer enquanto outras carícias continuam. Ela se movimenta em ondas, ele sente o roçar de seus seios em seu rosto. É surfe, é volúpia e cavalgada, que se revesa.

No rádio à pilha, no aparador do quarto sintonizado em alguma emissora, eles ouviam baixinho... A metáfora do seu prazer... Na música de R.Carlos... “Chovia lá fora e a capa pendurada...assistia tudo .. Não dizia nada... Enlevados em tanto amor, cúmplices no sexo, chegaram a um orgasmo longo e delicioso.

Deitados de lado um para o outro, ele lhe acaricia o rosto. Ela enlaça o braço direito sobre ele e lhe beija, com a calma da saciedade estampada no rosto... Dormem lado a lado. Sonham que se amam, em seus sonhos... Um sonho embalado pelo canto da Araponga que é como o bater do ferreiro em ferro em brasa, e o raspar do limatão...

No alvorecer, o sol brilha entrando pela janela. Tudo está calmo. O silencio é quebrado pelo esturrar do Arkus, o Percherron enorme que puxa a carruagem do tempo, negra e reluzente, respingada pela chuva da madrugada, com o Aeb (eibi) o cocheiro que aguarda os amantes no tempo para embarque, rumo ao co_dominio do tempo (Esybertem).

Sintonizados e com suas baterias carregadas, retornam a fazer contato com seus domínios sem sairem do Wordside. Enquanto a carruagem do tempo (Flytime) segue para a cybergaragem, onde aguardará o tempo para outras vivencias dos Amantes no Tempo porque, só no Wordside, eles conseguem ouvir o canto da Araponga... Que é como como o bater do ferreiro em ferro em brasa, e o raspar do limatão...

Ibernise feat Intrépido
Indiara (GO), 03.10.2008.
Inédito!

*Núcleo Temático Romântico.
Direitos autorais reservados/Lei n. 9.610 de

 

 

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